segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lata na favela une cor e som em Heliópolis

Jovens se reúnem em projeto criado pela Unas que visa a integração deles na comunidade


O grupo Lata na Favela foi criado no ano de 2003, por educadores e alunos da UNAS. Este projeto foi idealizado a partir da extensão de outro projeto criado pelo arquiteto Ruy Ohtake, que visava a pintura das fachadas da casas do bairro com o intuito de deixar a comunidade mais alegre e colorida.

Com as latas de tinta vazias, os alunos criaram seus próprios instrumentos de percussão. “Sobravam muitas latas de tintas então foi pensando em usá-las para fazer ritmos”, afirma Rafael Carvalho, coordenador do grupo.

O Lata na Favela é  um dos poucos grupos na comunidade que não  visam o lucro, mas, sim, difundir a cultura para os moradores, além de ser uma manifestação cultural local, da qual todos têm acesso e cujo papel principal é difundir a comunidade e seus projetos.

 “Fazer parte do grupo melhorou o meu relacionamento com as pessoas além de deixar minha mãe menos preocupada, antes eu ficava brincando na rua e agora minha mãe sabe que estou envolvida no ensaio quando não to na escola” diz a estudante Daiane de Almeida.

O grupo é composto por 25 jovens de 12 a 18 anos. Os ensaios acontecem dentro da comunidade e a administração das apresentações fica sob responsabilidade do Instituto. Os interessados entram em contato com a UNAS, a proposta é passada para o grupo, que faz todo um estudo do conteúdo a ser apresentado conforme o evento.

“A UNAS faz a gerência  da apresentação e divulgação, além de ceder o espaço e os instrumentos para o grupo. As apresentações precisam ser marcadas com três semanas de antecedência, pois o grupo se reúne apenas uma vez por semana para ensaiar, porque muitos trabalham, estudam e fazem cursos extracurriculares”, explica o coordenador.

Como tudo começou?

As tonalidades que mudaram a aparência de Heliópolis


A idéia de colorir a comunidade Heliópolis deu-se a partir de uma declaração do arquiteto Ruy Othake durante uma entrevista ao afirmar que Heliópolis era a parte mais feia da cidade, devido as fachadas das casas apenas rebocadas e as vezes nem isso. 

Ao ouvir o comentário feito pelo arquiteto, líderes comunitários da UNAS (União de Núcleos, Associações e Sociedade dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco) escreveram uma carta para o arquiteto. “Pensávamos que ele nem iria responder e, para nossa surpresa, não só respondeu como veio até aqui, conversou com a gente e propôs o projeto A Cor em Heliópolis”, conta Gerônimo Barbosa, mais conhecido como Gerô, diretor de comunicação da UNAS e coordenador do Projeto.

O arquiteto foi até Heliópolis, sentou com a liderança comunitária da UNAS e sugeriu colorir as fachadas das casas para melhorar a aparência do bairro. “Foi tudo muito planejado. Não é uma pintura qualquer, ele projetou uma obra de arte!” diz Gerô,

É claro que não seria possível pintar toda Heliópolis, a sugestão foi que a liderança comunitária indicasse duas ruas para dar início ao projeto. “Nós fizemos uma pesquisa sobre as cores de preferência de cada morador e o Sr. Rui foi em busca de patrocínio para o projeto”, explica o coordenador.

As ruas escolhidas foram a Rua da Mina, por ser uma rua “histórica”, onde se deu início a todas as organizações e benefícios da favela: creche, água, luz e substituição das casas de tábua por alvenaria, e a Rua Paraíba, que está sendo conhecida como “rua cultural de Heliópolis”.

O patrocínio veio através da Suvinil, que participou com as tintas e o reboco das fachadas, e do Banco Panamericano, que pagou a mão-de-obra de oito moradores para executar a reforma que durou oito meses e atendeu 280 casas.

Investimento governamental faz crescer o setor da educação em Heliópolis

A reurbanização do bairro traz melhorias na educação dos jovens

O processo de urbanização da maior favela da América Latina está cada vez mais acelerado, já foram feitas creches, escolas, postos de saúde, pavimentações nas ruas, moradias entre outros bens necessários para atender a população do bairro de Heliópolis. Em 2009 a Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras (SIURB), por intermédio do Departamento de Edificações (EDIF), inaugurou o Cultural de Heliópolis.
O prédio do Centro Cultural é composto por dois pavimentos com elevador, o espaço tem 824 m² de área construída e abriga três salas multiuso, há também um cinema com capacidade para 142 lugares, quatro banheiros, e um pátio de recreação servido com uma copa e um depósito. Na área externa foi construído o teatro de arena aberto com arquibancadas para 150 pessoas e mais dois espaços para exposições.
Parte do novo Pólo de Educação Integrado, conhecido como CEU Heliópolis, teve o Centro cultural como sua primeira obra inaugurada. Este complexo ocupa uma área de 47.799 m², em Heliópolis, o equivalente ao tamanho de um bairro da cidade de São Paulo com aproximadamente 120 mil habitantes.
O projeto f oi doado pelo arquiteto Ruy Ohtake, que possui outros planos  de desenvolvimento para o bairro e englobou a primeira fase a construção de três Centros de Educação Infantil (CEIs) com 789 m² cada, com dois pavimentos, 8 salas e uma  praça de lazer.
A Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e Obras (SIURB) através da mediação do Departamento de Edificações (EDIF) iniciou as obras da primeira fase em setembro de 2007, e a conclusão dos serviços deu-se no mês de janeiro de 2009. O custo da primeira etapa foi de R$ 6,5 milhões.
Segundo a assessora de imprensa Maria Regina o Governo do Estado em parceria com a Prefeitura concluiu cerca de 90% das obras planejadas dentro deste complexo e mais obras estão sendo planejadas no centro de convivência de Heliópolis para minimizar a marginalização do bairro.
“Além das parcerias que o governo possui, a população coopera para criar um ambiente de convívio melhor para evitar a violência do bairro e melhorar a nossa qualidade de vida, a união dos moradores daqui faz a diferença que a gente precisa”, explica a comerciante Vilma Cavalcanti.

Heliópolis passa por reformas urbanísticas



PAC assegurará moradias de segurança para moradores de Heliópolis
Durante festiva cerimônia organizada na Favela de Heliópolis no dia 20 de maio, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) assegurará moradia digna nas favelas da região. O Complexo de Heliópolis, localizado no bairro do Ipiranga, na zona sul, passará por uma reforma: serão feitas obras que beneficiarão os 60 mil habitantes, que ocupam uma área de Um milhão de metros quadrados. No total, os projetos incluem a construção de 1.895 moradias, além de obras de pavimentação, novas escadarias, instalação de espaços de lazer e áreas verdes. O Córrego do Ipiranga será canalizado, os barracos construídos às suas margens serão retirados por estarem em áreas de alto risco de desabamento, e as famílias serão reassentadas em área regulamentadas.
Os investimentos necessários para melhorar o transporte público, moradias e saneamento virão do orçamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), dos cofres das Prefeituras da Grande São Paulo e de empréstimos concedidos ao governo do Estado e às prefeituras da cidade por organismos internacionais, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e Japan Bank for International Cooperation (JBIC).
Serão gastos R$ 175 milhões, sendo que R$ 65 milhões virão dos cofres da Prefeitura de São Paulo, que, além de obras de urbanização, está desenvolvendo o programa de regularização fundiária das favelas da capital. Há dias, legalizou a posse dos imóveis de mais de 23 mil famílias em 108 áreas públicas da cidade, ocupadas por favelas há mais de 12 anos.
“Conter o crescimento desses e de outros grandes complexos de favelas de São Paulo e urbanizá-los é uma tarefa fundamental para o ordenamento urbanístico da capital. Mas são obras caras, que exigem o esforço conjunto das três esferas de governo”, afirma Monica Garcia, assessora de impressa da EMURB (Empresa Municipal de Urbanização).
 “São Paulo quer moradia digna para milhares de famílias residentes em áreas de risco e de mananciais, além de água de boa qualidade para a população” diz o operário José Messias de Miranda.